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domingo, 25 de abril de 2010

Diálogo





A cruz dizia à terra onde assentava,
Ao vale obscuro, ao monte áspero e mudo:
— Que és tu, abismo e jaula, aonde tudo
Vive na dor e em luta cega e brava?

Sempre em trabalho, condenada escrava.
Que fazes tu de grande e bom, contudo?
Resignada, és só lodo informe e rudo;
Revoltosa, és só fogo e horrida lava...

Mas a mim não há alta e livre serra
Que me possa igualar!.. amor, firmeza,
Sou eu só: sou a paz, tu és a guerra!

Sou o espírito, a luz!.. tu és tristeza,
Oh lodo escuro e vil! — Porém a terra
Respondeu: Cruz, eu sou a Natureza!

Antero de Quental, in "Sonetos"

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Muros.


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Tás a olhar pa mim pkê?

Vá lá!!!! Deixa-me passar!


Uma janela para o infinito.


"Tenta fazer esta experiência, construindo um palácio. Equipa-o com mármore, quadros, ouro, pássaros do paraíso, jardins suspensos, todo o tipo de coisas... e entra lá para dentro. Bem, pode ser que nunca mais desejasses sair daí. Talvez, de facto, nunca mais saisses de lá. Está lá tudo! "Estou muito bem aqui sozinho!". Mas, de repente - uma ninharia! O teu castelo é rodeado por muros, e é-te dito: 'Tudo isto é teu! Desfruta-o! Apenas não podes sair daqui!". Então, acredita-me, nesse mesmo instante quererás deixar esse teu paraíso e pular por cima do muro. Mais! Todo esse luxo, toda essa plenitude, aumentará o teu sofrimento. Sentir-te-ás insultado como resultado de todo esse luxo... Sim, apenas uma coisa te falta... um pouco de liberdade"

Fiodor Dostoievski, in "O Movimento de Liberação".

domingo, 8 de novembro de 2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

sábado, 26 de setembro de 2009

domingo, 20 de setembro de 2009

A casa amarela.

Vincent van Gogh, "A casa amarela", 1888

sábado, 19 de setembro de 2009

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sky


"Olhou para o céu e viu os brancos cúmulos erguendo-se como simpáticos barquinhos de gelado e, altas por cima, estavam as finas penas dos cirros contra o vasto céu de Setembro."

Hemingway, Ernest, in "O velho e o Mar"

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Muros.

Deep.


"Já tarde acompanhei Antero à casa que ele habitava na Rua de Cedofeita. Conversámos sobre os seus planos - porque agora as «pequenas», crescidas, iam sair das Doroteias, e para as instalar no mundo, devia ele repenetrar no mundo. Pensava pois em voltar à sua ilha, a S. Miguel, como sendo um mundo mais sereno, mais puro, mais fácil. Lisboa, para Antero, era uma Nínive revolta e sórdida. Diante da sua porta aberta ainda nos retardámos em pensamentos ligeiros da vida e da sorte. Por fim: - «Adeus, Santo Antero!» - «Velho amigo, adeus!» Ele mergulhou lentamente na sombra do corredor... E não o vi mais, nunca mais!"

Eça de Queiros, in "A vida de Antero de Quental"

sábado, 12 de setembro de 2009

A torre.


"E daí, da sua cadeira de couro, Gonçalo Mendes Ramires, pensativo diante das tiras de papel almaço, roçando pela testa a rama de pena de pato, avistava sempre a inspiradora da sua Novela - a Torre, a antiquíssima Torre, quadrada e negra sobre os limoeiros do pomar que em redor crescera, com uma pouca de hera no cunhal rachado, as fundas frestas gradeadas de ferro, as ameias e a miradoura bem cortadas no azul de junho, robusta sobrevivência do Paço acastelado, da falada Honra de Santa Irenéia, solar dos Mendes Ramires desde os meados do século X."

Eça de Queiros, in "A ilustre casa de Ramires"

Closed Windows.

The doors of perception.

Muros.